Compradores do Brasil
Como comprar casa em Orlando morando no Brasil
Sim, você pode comprar casa em Orlando morando no Brasil, sem visto nem residência: propriedade e imigração são trâmites separados. O que vale entender antes de começar são três coisas concretas — onde se apostila um documento brasileiro e quem é de fato a autoridade competente, o que a lei da Flórida permite para assinar à distância, e quando o IRS realmente exige um ITIN.

Florida Realtors, ago 2024 – jul 2025
O Brasil no mercado da Flórida: o número, e para que lado ele se moveu
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, os compradores brasileiros somaram US$762 milhões em volume de compra na Flórida, ficando em terceiro lugar entre as nacionalidades estrangeiras, atrás de Canadá e Colômbia, segundo o 2025 Profile of International Residential Transactions in Florida da Florida Realtors.
Vale dizer a direção do movimento, e não só a posição: o Brasil caiu de segundo para terceiro lugar nesse indicador, pela primeira vez em vários anos, segundo a mesma fonte. Preferimos registrar isso a apresentar o terceiro lugar como se fosse uma subida. Por número de operações o Brasil aparece em terceiro também, com 7% das compras internacionais no estado.
Para dimensionar: o preço mediano pago por compradores internacionais na Flórida foi de US$442.000 nesse período, US$27.000 abaixo do período anterior. A mediana caiu. É um dado que muda a conversa sobre quando comprar, e é melhor tê-lo antes de fazer uma proposta do que depois. Por isso começamos pelos números do seu caso — aluguel estimado, despesas, taxa de condomínio (HOA) e o imposto sobre a propriedade, que é fixado por condado e não é igual em Osceola, Polk ou Orange.
Para dimensionar: o preço mediano pago por compradores internacionais na Flórida foi de US$442.000 nesse período, US$27.000 abaixo do período anterior.
Apostilamento: quem é a autoridade competente, e onde você realmente vai
O Brasil aplica a Convenção da Apostila da Haia desde 14 de agosto de 2016, segundo a tabela de estados da HCCH. Desde essa data, a legalização de documentos produzidos no Brasil destinados a países da Convenção é feita exclusivamente pela aposição da apostila, segundo o CNJ — ou seja, não há mais legalização consular para os Estados Unidos.
Uma precisão que a maioria dos textos erra: a autoridade competente é o Conselho Nacional de Justiça, que pode delegar o apostilamento. Dizer que os cartórios são a autoridade competente reproduz a redação original do art. 6º da Resolução n. 228/2016, que foi superada pela Resolução n. 392, de 26 de maio de 2021. Na prática, para você, nada muda: o CNJ afirma que o cidadão procura o cartório ou tabelionato mais próximo, conforme o tipo de documento, e não precisa recorrer a nenhum órgão central.
O que isso significa no dia a dia. O apostilamento é obrigatório em todas as capitais desde 2016, então há onde fazer em qualquer capital do país. Não é preciso requerimento escrito: quem detém o documento pede, recebe um recibo e o prazo de entrega não pode passar de cinco dias, segundo o CNJ. A apostila sai em via física e eletrônica e traz um QR code que permite conferir os dados do documento apostilado — útil quando a title company nos Estados Unidos quiser verificar a autenticidade.
Duas ressalvas práticas. A primeira: o apostilamento funciona como um reconhecimento de firma, então em princípio quem apostila é um cartório que tenha registrada a assinatura, o selo ou o carimbo de quem emitiu o documento. A segunda vem do próprio CNJ, na página de busca: alguns cartórios listados ainda não adquiriram o papel de segurança, e convém ligar antes para confirmar a disponibilidade. O CNJ mantém uma busca oficial de cartórios autorizados por estado e cidade.
E para a volta: no Brasil, documentos estrangeiros — mesmo apostilados — só produzem efeito com tradução juramentada, que só pode ser feita no Brasil, segundo o CNJ. Se você trouxer a escritura ou os documentos do fechamento para usar aqui, é esse o passo seguinte.
Assinar do Brasil: o que a lei da Flórida autoriza
A Flórida admite o reconhecimento de firma on-line. Quando um ato notarial exigiria que o signatário comparecesse perante o notário, esse comparecimento pode se dar por tecnologia de áudio e vídeo, segundo o Fla. Stat. § 117.209 (2025). A lei define comparecer sem exigir presença física, desde que as partes possam se ver, ouvir e se comunicar.
O ponto que costuma ser contado ao contrário: a restrição de localização é do notário, não sua. A lei autoriza o notário on-line fisicamente localizado na Flórida a atuar independentemente de onde estejam o signatário ou as testemunhas, e o ato é considerado praticado na Flórida e regido pela lei da Flórida, segundo os §§ 117.209 e 117.265 (2025). Estar em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte não afeta a validade.
Seu passaporte brasileiro serve como identificação: a lei aceita expressamente passaporte estrangeiro sem carimbo de imigração dos Estados Unidos, segundo o § 117.201 (2025).
Há um limite real que pede planejamento. Transmitir um imóvel na Flórida exige duas testemunhas que subscrevam o instrumento, segundo o Fla. Stat. § 689.01 (2025), e o requisito pode ser cumprido por meio eletrônico — mas uma testemunha remota que compareça por áudio e vídeo precisa estar nos Estados Unidos, segundo o § 117.285 (2025). A restrição alcança a testemunha remota, não você. A title company resolve isso rotineiramente, desde que saiba com antecedência. Além do que a lei permite, cada credor e cada title company define os próprios requisitos de aceitação.
ITIN, impostos e financiamento: o essencial e onde está o detalhe
O ITIN é um número para fins tributários federais e nada além disso. O próprio IRS afirma que ele não autoriza a trabalhar, não dá direito a benefícios da Previdência americana e não confere status imigratório. É a resposta mais direta ao mito de que um número fiscal aproxima alguém de um visto.
Sobre quando ele é exigido, convém ser literal. O IRS define a necessidade do ITIN por finalidade tributária federal, e nos materiais publicados a compra de um imóvel não aparece entre essas finalidades. Repare na formulação: não aparece listada. O IRS não diz que você precisa de um ITIN para comprar, nem diz o contrário — ele simplesmente não trata da compra. O que está listado vem depois: alugar o imóvel, quando o aluguel fica sujeito a retenção por terceiro; vender, porque a disposição de imóvel nos Estados Unidos por pessoa estrangeira é uma das exceções do Formulário W-7; e ter financiamento imobiliário sujeito a informe de juros por terceiro. Seu credor, por outro lado, pode pedir o número como parte do próprio cadastro.
Nos impostos americanos, o essencial: a Flórida não cobra imposto estadual sobre a renda pessoal; existe o imposto anual sobre a propriedade, que varia por condado; a renda de aluguel é tributada em nível federal; e na venda incide a retenção FIRPTA sobre o montante realizado, que é um pagamento por antecipação e não um imposto extra. Os números canônicos e as exceções estão no guia de custos de fechamento, com as fontes do IRS — não os repetimos aqui para que exista uma única versão de cada número no site.
Em financiamento não publicamos percentuais, porque não existe um só: cada credor define conforme o programa e o perfil, e apresentar um número como se fosse regra seria inventar um dado. O que é estrutural: os programas Foreign National não exigem histórico de crédito americano, avaliam capacidade de pagamento, reservas e, em alguns casos, a renda projetada do imóvel, e costumam pedir entrada maior e reservas comprovadas em relação a um comprador com crédito local, além de passaporte, ITIN e referências bancárias. Os termos exatos não são garantidos. Não somos credores: coordenamos para que o financiamento não atrase o fechamento.
Não somos consultores fiscais nem jurídicos. Conectamos você a contadores (CPA) com experiência em investidores internacionais.
Fontes
- CNJ — Apostila da Haia — agosto de 2026
- CNJ — Resolução n. 228/2016 (texto compilado) — agosto de 2026
- CNJ — Perguntas frequentes sobre a apostila — agosto de 2026
- CNJ — Busca de cartórios autorizados — agosto de 2026
- HCCH — Tabela de estados da Convenção da Apostila (1961) — agosto de 2026
- Fla. Stat. § 117.209 (2025) — reconhecimento de firma on-line — agosto de 2026
- Fla. Stat. § 117.265 (2025) — procedimento do ato notarial on-line — agosto de 2026
- Fla. Stat. § 117.285 (2025) — testemunhas remotas — agosto de 2026
- Fla. Stat. § 689.01 (2025) — testemunhas na transmissão de imóveis — agosto de 2026
- IRS — Individual Taxpayer Identification Number — agosto de 2026
- IRS — Instruções do Formulário W-7 (PDF) — agosto de 2026
- Florida Realtors — 2025 Profile of International Residential Transactions in Florida (PDF) — agosto de 2026
Perguntas frequentes de compradores brasileiros
Onde apostilo meus documentos brasileiros para usar nos Estados Unidos?
Em um cartório autorizado. A autoridade competente é o CNJ, que delega o apostilamento aos serviços extrajudiciais; na prática você procura o cartório mais próximo conforme o tipo de documento. O serviço é obrigatório em todas as capitais, não exige requerimento escrito e o prazo de entrega não pode passar de cinco dias. O CNJ mantém uma busca oficial de cartórios autorizados — e avisa que alguns ainda não têm o papel de segurança, então vale ligar antes.
Comprar um imóvel nos EUA me dá visto ou residência?
Não. Ser proprietário de um imóvel nos Estados Unidos não concede visto, residência nem qualquer status imigratório; são trâmites totalmente separados. O ITIN também não: o próprio IRS afirma que ele não autoriza a trabalhar, não dá direito a benefícios da Previdência americana e não confere status imigratório. Para a parte imigratória, consulte um advogado de imigração. Nós acompanhamos você apenas na compra.
Posso fechar a compra sem viajar?
Sim. A Flórida admite o reconhecimento de firma on-line por áudio e vídeo, e a lei exige que o notário esteja fisicamente na Flórida — não você; o ato é considerado praticado na Flórida. Seu passaporte brasileiro serve como identificação, mesmo sem carimbo de imigração. Atenção a um detalhe: transmitir um imóvel exige duas testemunhas, e uma testemunha remota precisa estar nos Estados Unidos.
Preciso de ITIN para comprar?
O IRS define a necessidade do ITIN por finalidade tributária federal, e a compra de um imóvel não figura entre as finalidades listadas nos materiais publicados. Isso não é o mesmo que o IRS dizer que não é preciso — ele não trata do caso. A exigência costuma aparecer depois: ao alugar, ao vender ou com financiamento sujeito a informe de juros. O credor, porém, pode pedir o número no cadastro dele.
Qual é a entrada para um comprador brasileiro?
Não publicamos um percentual porque não existe um só: quem define é o credor, conforme o programa e o seu perfil. O que é constante nos programas Foreign National é a exigência de entrada maior e reservas comprovadas em relação a um comprador com crédito americano, sem exigir histórico de crédito local. À vista, não se aplica. Peça o número por escrito ao credor antes de fazer a proposta.
Trouxe os documentos do fechamento para o Brasil. Eles valem aqui?
Documentos estrangeiros, mesmo apostilados, só produzem efeito no Brasil com tradução juramentada, e essa tradução só pode ser feita no Brasil, segundo o CNJ. Ou seja: a apostila resolve a autenticidade, e a tradução juramentada resolve o efeito jurídico aqui. São dois passos, não um.
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